Neoliberalismo e liberalismo
O liberalismo clássico mostrou-se
ineficaz no início do século XX,
após o advento de crises, como a Grande Depressão de 1929,
em que a Bolsa de Valores de Nova Iorque quebrou. O cenário era de desemprego
geral e péssimas condições de vida e trabalho para a classe operária europeia e
estadunidense (principalmente), mas também para as classes operárias de outros
países fora dos grandes eixos industriais.
O socialismo havia inspirado a formação
de organizações sindicais, que organizavam grandes
greves contra a exploração dos trabalhadores por parte da
burguesia, algo comum e necessário dentro da doutrina liberal. O cenário do
século XX fez com que governantes e economistas revissem o liberalismo
clássico.
Um dos economistas que apresentaram uma
proposta diferente foi o inglês John Maynard Keynes, formulando uma doutrina
conhecida posteriormente como keynesianismo. Essa teoria trouxe uma
forma de pensar a economia capitalista como um misto de lucro para a iniciativa
privada, mas com uma regulação estatal que assegurasse boas condições de vida
para toda a população, e não somente para uma classe privilegiada.
As formas de governar que surgiram a
partir dessas ideias ficaram conhecidas como social-democracia,
sendo aplicadas nos Estados Unidos por Franklin Delano Roosevelt e por países
nórdicos europeus, como a Finlândia. A educação, a saúde, a segurança, o pleno
emprego e a dignidade da vida deveriam ser promovidos pelo Estado quando a
iniciativa privada não conseguisse atingir a todos com os seus benefícios, o
que fez surgir um Estado de bem-estar social, que tornaria
mais digna a vida humana e permitiria o acesso ao consumo por parte das classes
trabalhadoras.
Como resposta a esse tipo de política
económica, o economista da Escola Austríaca de Economia, Ludwig von Mises formulou
uma doutrina político-económica que resgatava os elementos do liberalismo
clássico e adaptava-os à realidade do capitalismo globalizado e altamente
desenvolvido do século XX.
Ludwig von Mises, economista da Escola Austríaca que fundamentou as
primeiras teorias neoliberais.
A nova realidade não permitiria uma
completa e total separação entre a economia e o Estado, mas permitiria ajustes
que os neoliberais consideravam necessários. Esses ajustes visavam, em geral, à
ampliação da iniciativa privada na oferta de serviços básicos e a supressão
quase total das empresas, órgãos e funcionários públicos, a fim de, como dizem
os neoliberais, desinflar a máquina estatal. Por essa lógica, o papel do
Estado na economia seria quase nulo, a cobrança de impostos abaixaria muito
e os serviços básicos seriam, em sua maioria, cobrados.
Críticos dessa vertente económica dizem
que esse tipo de política económica tende a manter uma classe privilegiada no
poder económico, assim como acontecia no liberalismo clássico, além de precarizar a
vida do trabalhador, que precisa trabalhar mais e perde muitos dos seus
direitos trabalhistas.

Sem comentários:
Enviar um comentário