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2010/03/06

"um homicídio um bocadinho pior que o normal"

Há frases que me deixam perplexo. 
Esta é do Juiz do Coletivo que condenou um individuo por ter morto a mulher à facada (17 facadas) a 19 anos de cadeia.
Disse ainda outra coisa lapidar "Tenha paciência, vai condenado a 19 anos", dirigindo-se ao arguido, a quem pediu que manifestasse "disponibilidade" para acompanhar a educação das filhas.

Ora pedir paciência a alguém num caso destes é como pedir desculpa pela condenação. 
Um homicídio destes é "um bocadinho pior" porque deu 17 facadas, porque se fossem apenas uma ou duas, era provavelmente, nas palavras deste senhor Juiz um homicídio melhor e aí levava uns 6 ou 7 anos!!

São coisas incríveis como estas que nos deixam a pensar na credibilidade da nossa justiça e dos seus agentes. Depois ficam surpreendidos que a Justiça que é administrada em nome do Povo, este não a compreenda e se revolte...

2010/02/28

Um caso dos nossos políticos a reter!


Inês já não mora aqui
Enquanto se confirma que uma empresa pública pagou a Luís Figo para vir a Portugal apoiar o eng. Sócrates por um dia, um pedacinho do País debate o caso de Inês Medeiros, que o público em geral paga para vir a Portugal apoiar o eng. Sócrates todas as semanas.
Embora eleita deputada pelo círculo de Lisboa, a sra. Medeiros não está para habitar pocilgas e por isso vive em Paris, cidade a que regressa às sextas-feiras. Como nem em trânsito a sra. Medeiros tolera convívio excessivo com a ralé, as viagens decorrem em classe executiva. Infelizmente, na Assembleia da República alguns não compreendem essas necessidades básicas e, numa demonstração de ressentimento muito portuguesa, há quem proponha que a senhora financie as deslocações do próprio bolso. O PS, naturalmente, discorda, e José Lello sugeriu que retirar os privilégios à sra. Medeiros seria "pôr em causa a livre circulação dos cidadãos europeus".
Eu, confesso, ignorava que a ausência de bilhetes em "executiva" à custa do contribuinte desrespeitasse um dos princípios basilares da União. Porém, já que falam nisso, é verdade que até aqui sentia a minha capacidade circulatória um tanto condicionada e não sabia a razão. Agora sei, pelo que aproveito para apelar aos valores de Maastricht e exigir, não na qualidade de cidadão europeu, voos regulares e com tratamento VIP rumo a Florença, Praga, Londres e Edimburgo.
A sra. Medeiros apenas deseja a rota Lisboa-Paris. E é da maior importância que os portugueses a ajudem a realizar a sua pretensão por via de manifestações, petições e, se preciso for, donativos directos. Em primeiro lugar, porque não nos devemos arriscar a que a sra. Medeiros nos prive do seu extraordinário desempenho parlamentar, de resto evidente no sorriso irónico com que ela encara cada reunião da Comissão de Ética. Em segundo lugar, porque se o eng. Sócrates for impedido de angariar apoiantes no estrangeiro depressa começará a ter dificuldades em consegui-los cá dentro. Bem sei que, além do sr. Figo e da sra. Medeiros, os comentários da Internet estão repletos de louvores apaixonados do primeiro-ministro. Mas, justamente a julgar pelo grau da paixão, os seus autores também não vivem em Portugal: vivem na Lua ou no aparelho do PS, o que hoje em dia é quase o mesmo. Alberto Gonçalves (Diário de Noticias)

2010/01/19

O TGV (ou a transferência de poder para Espanha)

Acerca do TGV muito se falou, muito se fala e muito se falará. Não tenho uma opinião formada, porque creio que até hoje ninguém emitiu um parecer independente dos benefícios ou malefícios que tal investimento trará para o país.

Sabemos que é um forte investimento. Sabemos que vão ser pedidos milhões e milhões de euros aos bancos e a investidores privados que entram no negocio para ganhar dinheiro, obviamente! Sabemos que é um forte encargo para as gerações futuras. Sabemos que ninguém irá usar o TGV para ir a Madrid gozar férias. Sabemos que Espanha tem um grande interesse na ligação Lisboa -Madrid.

Daquilo que não sabemos, é o que me faz alguma confusão. Não sei se todas as empresas nacionais e multinacionais irão transferir para a capital espanhola os centros de decisão e daí os principais investimentos. Cada vez mais as empresas multinacionais estão a unir os seus "pólos" espanhol e português apelidando-os de Ibéria com o centro decisório em Madrid. É o caso da Michelin, da Sunchemical etc. .
 
Cada vez mais Portugal é uma filial cujo cérebro se situa em Espanha, concretamente em Madrid. 

Temo que o TGV sirva somente para ajudar a acelerar este tipo de transferência da autonomia empresarial para Espanha com o custo elevadíssimo a ser mais uma vez suportado pelos portugueses que pensam que o TGV será uma grande evolução para o país. 

Para os optimistas isso nunca irá acontecer! Para mim acho inevitável e dou como exemplo empresas criadas no norte do país que para "sobreviverem", transferiram as suas sedes sociais para Lisboa, ou então aí tiveram que criar uma forte delegação ou filial!

2010/01/18

"O Palhaço" por Mário Crespo

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.


Ou nós, ou o palhaço.
(Mario Crespo - JN 18/01/2010)

*Não resisti. Acho ser um artigo que vai ficar na história...

2010/01/02

Médicos no desemprego, a solução!?

Que me desculpem os médicos e toda a sua classe, que me merecem a maior das considerações, mas se há uma evidente e até aberrante posição corporativista numa classe profissional esta é sem qualquer dúvida a dos médicos.

Com a inauguração do nova faculdade de medicina em Aveiro o bastonário Pedro Nunes veio prontamente para a comunicação social afirmar que tal acontecimento era uma fraude para as futuras gerações e que dentro de quatro ou cinco anos haveria médicos no desemprego…

Todos sabemos direta ou indiretamente como vão as coisas com a saúde em Portugal, são meses de espera por uma consulta, por uma cirurgia, um tratamento etc.. Pior sabemos do desinteresse dos inúmeros maus profissionais que abundam por esses hospitais fora. Sabemos das fortunas que a maioria dos imensos médicos ganham etc. etc.

È por isso, uma classe altamente protegida e que como tal exerce uma grande pressão sobre o poder politico, chantageando dissimulando etc., porque têm a perfeita noção que as pessoas temem pela sua saúde e nesta cadeia quem precisa é claramente o elo mais fraco!


Não vejo qualquer problema que se formem muitos médicos portugueses em Portugal.

Por outro lado já não aceito que se formem médicos portugueses noutros países para depois virem para Portugal exercer a profissão, nem que se aceitem médicos formados na Rússia, em Cuba etc. para exercerem medicina em Portugal. 

Acho que desta forma se estão a vedar aos jovens portugueses as possibilidades de seguirem a sua carreira no seu país e ao mesmo tempo a desperdiçar os verdadeiros bons médicos!

Abram novas Universidades de Medicina, deixem que haja médicos no desemprego, porque é sem duvida, alguma sinal que apesar de passar a existir desemprego no sector, a saúde em Portugal certamente melhorará...